Nevo associado a melanoma: características clínicas e dermatoscópicas

Por Fernanda Simões Seabra Resende e Flávia Vasques Bittencourt 

 

O melanoma corresponde a apenas 2,3% de todos os cânceres cutâneos, mas é responsável por mais de 75% dos óbitos associados a essa neoplasia1. Estratégias atuais visam minimizar a morbimortalidade associada ao melanoma cutâneo, com foco em medidas de proteção à exposição solar e na identificação minuciosa de precursores ou marcadores de risco identificáveis como os nevos melanocíticos2.

A presença de múltiplos nevos melanocíticos é um conhecido e importante fator de risco para o melanoma. Estudos retrospectivos caso-controle mostram relação direta entre o número de nevos e o risco de melanoma (2 a 14 vezes maior em indivíduos com múltiplos nevos)2-9.

A associação do melanoma com nevo melanocítico tem sido bastante estudada com a expectativa de uma melhor compreensão da biologia do melanoma. Estudos histopatológicos reportam essa associação em aproximadamente 30% de todos os melanomas excisados10-14. Mas este percentual pode estar subestimado, devido aos casos potenciais em que o melanoma destrói as células névicas. Com isso, a evidência da associação não poderia ser identificada 10,15.

De acordo com alguns autores, história pessoal de nevo associado a melanoma (NAM) é o fator de risco mais importante para outro NAM. Isso ocorre mais frequentemente em adultos jovens com alta contagem de nevos e em áreas de exposição solar intermitente como o tronco e as extremidades 16-23.

Embora não existam dúvidas de que certa proporção de nevos melanocíticos irá sofrer transformação maligna, a incerteza está em qual tipo de nevo deve ser considerado de alto risco de progressão para melanoma. Enquanto muito trabalho se concentrou na identificação dos padrões de nevos e melanoma, pouco se tem conhecimento atualmente sobre os critérios clínicos e dermatoscópicos do NAM.

A partir dos conhecimentos dermatoscópicos do conceito duplo da nevogênese e da avaliação das mudanças dinâmicas sofridas pelo nevo ao longo da vida do indivíduo, infere-se que o melanoma pode apresentar características topográficas distintas em cada tipo de nevo24.

Este conceito duplo de nevogênese, proposto por Zalaudek e cols a partir dos aspectos dermatoscópicos dos nevos melanocíticos, considera que a via congênita dá origem a nevos com padrão globular/clod ou padrão marrom sem estrutura, presentes ao nascimento (verdadeiro nevo congênito pequeno) ou com aparecimento na primeira infância (nevo congênito pequeno tardio) e que persistem por toda a vida do indivíduo. 

Já a segunda via da nevogênese considera o nevo adquirido aquele que se desenvolve depois da puberdade, inicialmente caracterizado por glóbulos marrons periféricos, que evoluem para um padrão reticular predominante (composto superficial) ou padrão reticular misto (composto profundo). 

A partir destes conhecimentos dermatoscópicos do conceito duplo da nevogênese e da avaliação das mudanças dinâmicas sofridas pelo nevo ao longo da vida do indivíduo, infere-se que o melanoma possa apresentar características topográficas distintas em cada tipo de nevo24.

Os melanomas associados ao nevo congênito parecem se desenvolver centralmente ao nevo24, enquanto no nevo adquirido o melanoma se desenvolve aparentemente adjacente ao nevo24, como mostrou trabalho retrospectivo e multicêntrico publicado recentemente por Zalaudek e cols. (Figuras 1 e 2). Trata-se de um estudo pioneiro em documentar a localização topográfica do melanoma associado ao nevo congênito e ao nevo adquirido.

As diferenças epidemiológicas, demográficas e morfológicas entre os melanomas que surgem no interior e adjacente ao nevo apontam para duas vias diferentes de desenvolvimento do melanoma proveniente do nevo. Esta teoria está de acordo com este conceito dermatoscópico de nevogênese, que propõe que os nevos se desenvolvem a partir de dois caminhos possíveis: a via congênita e a via adquirida24.

Ainda segundo Zalaudek e cols a dermatoscopia aumentou o reconhecimento dos NAM em até 67% dos casos, identificando que a presença de glóbulos/pontos regulares era mais comum no nevo congênito associado ao melanoma, enquanto as áreas de hipopigmentação sem estrutura foram mais frequentes nos nevos adquiridos associados ao melanoma24.  

No que diz respeito às características dermatoscópicas específicas do melanoma nos NAM, Shitara e cols mostraram rede pigmentar negativa, presença de glóbulos e estrias como critérios diagnósticos25. Zalaudek e cols também identificaram a presença de glóbulos irregulares no melanoma associado ao nevo, mas raramente rede pigmentar negativa e estrias. Importante salientar que nenhum método atual permite prever qual nevo irá sofrer transformação maligna. Desse modo, a excisão profilática de nevos não é recomendada24. 

 

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  23. Pampín AF, Gamo RV, Floristán UM, Pinedo FJM, Pérez EF, García EZ, López JLE. Nevusassociatedmelanoma: An observational retrospective study of 22 patients evaluated with dermoscopy and reflectance confocal microscopy. Skin Res Technol. 2019; 00:1–6. 
  24. Zalaudek I, Conforti C, Guarneri F, Vezzoni R, Deinlein T, Hofmann-Wellenhof R, Longo C, MoscarellaE, Kittler H, Argenziano G, Giuffrida R. Clinical and dermoscopic characteristics of congenital and non-congenital nevusassociated melanomas. J Am Acad Dermatol. 2020; 20: 30737-4. 
  25. Shitara D, Nascimento M, Ishioka P, Carrera C, Alós L, Malvehy J et al. Dermoscopy of  naevus-associated melanomas. Acta Derm Venereol. 2015; 95: 671-5. 
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GBM Entrevista – Fotoproteção oral: como esse aliado ajuda a proteger a pele dos raios ultravioleta

No GBM Entrevista de hoje, traçamos um panorama sobre o surgimento da fotoproteção oral, para quem é indicada e seus benefícios na proteção da pele.

Para esclarecer dúvidas, a convidada é a Dra. Mariana Meireles, médica dermatologista do Centro de Oncologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, coordenadora do Curso de Formação de Cirurgia Micrográfica da SBB e membro da diretoria do GBM.

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Como tratar o paciente com melanoma avançado após progressão à primeira linha com imunoterapia?

Por Rodrigo Munhoz

A incorporação de anticorpos monoclonais anti-CTLA-4 e anti-PD-1 revolucionou o tratamento do melanoma avançado. Após a demonstração de respostas sustentadas com o uso do ipilimumabe, levando, após décadas, à mudança nas curvas de sobrevida desses pacientes, o desenvolvimento clínico dos agentes anti-PD-1 consolidou a imunoterapia como um dos tratamentos padrão para pacientes com doença irressecável ou metastática, independentemente da mutação do gene BRAF. Agentes como nivolumabe ou pembrolizumabe, quando utilizados em monoterapia, resultam em taxas de resposta objetiva próximas a 45% em primeira linha, com mais de 40% dos pacientes vivos em 5 anos.1,2 Mais recentemente, estudos randomizados atestaram a eficácia da estratégia do uso combinado do ipilimumabe e nivolumabe, com taxas de resposta objetiva de 58% (incluindo 22% de respostas completas), e mediana de sobrevida global superior a 60 meses.

Todavia, apesar dos ganhos inequívocos e respostas duradouras cada vez mais frequentes, a maior parte dos pacientes tratados com imunoterapia desenvolverá progressão de doença às custas de mecanismos envolvidos na resistência primária ou secundária. Na recente atualização do estudo CheckMate-067, apenas 36% daqueles tratados com a combinação de ipilimumabe e nivolumabe e 29% dos que receberam nivolumabe em monoterapia se mantinham sem progressão de doença após 5 anos.1 De forma semelhante, a proporção de pacientes livres de progressão em 48 meses, dentre os que receberam pembrolizumabe no estudo KEYNOTE-006, foi de 23%.2

No momento da falha ao tratamento, é fundamental avaliar o padrão e o volume da progressão, e estratégias como ressecção de metástases, radioterapia (com ou sem técnicas ablativas), ou procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem devem ser considerados de forma individual, preferencialmente mediante discussão multidisciplinar. Todavia, a maior parcela dos pacientes demandará uma nova linha imediata de tratamento sistêmico.

Para aqueles com mutação do gene BRAF tratados com imunoterapia em primeira linha, uma opção amplamente aceita é a troca do tratamento para inibidores do BRAF combinados a um inibidor do MEK no momento da progressão. As alternativas atualmente disponíveis no Brasil incluem os regimes de vemurafenibe/cobimetinibe ou dabrafenibe/trametinibe (o encorafenibe e o binimetinibe ainda não se encontram registrados junto à ANVISA). Todavia, convém salientar que não há estudos randomizados conduzidos com essas combinações nesse contexto e séries retrospectivas sugerem a possibilidade de menor eficácia versus seu uso em primeira linha, sobretudo quanto à duração de resposta e risco de maior incidência de eventos adversos.3,4

Para pacientes sem mutação do gene BRAF expostos ao nivolumabe ou pembrolizumabe em monoterapia (ou para aqueles com mutação do gene BRAF, após falha aos anti-PD-1 inibidores do BRAF/MEK), uma alternativa tradicionalmente aceita é o uso do ipilimumabe, com séries apontando eficácia comparável àquela demonstrada nos estudos de registro desse agente anti-CTLA-4 (taxa de resposta ao redor de 10-15%).5

Mais recentemente, porém, a possibilidade de uso do ipilimumabe combinado ao nivolumabe ou pembrolizumabe após falha a um agente anti-PD-1 em monoterapia surgiu como alternativa nesse contexto. No congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO Annual Meeting) de 2020, dois trabalhos apresentados ao longo da sessão oral avaliaram a eficácia da estratégia de resgate para esses pacientes. Em um dos estudos, a combinação do pembrolizumabe e ipilimumabe em doses baixas (1mg/kg) após falha a um anti-PD-1 foi avaliada em um estudo de fase II. A taxa de resposta por irRECIST foi de 27%, com mediana de duração de resposta de 18 meses e mediana de sobrevida global de 24,7 meses.6 O segundo estudo abordando o mesmo tema foi uma série retrospectiva, na qual pacientes previamente tratados com anti-PD-1 (e outras linhas, se aplicável) foram expostos ao ipilimumabe em monoterapia ou associado a um agente anti-PD-1. O uso da combinação resultou em taxa de resposta de 32% e proporção de pacientes vivos em 18 meses de 53% versus taxa de resposta de 13% e 25% dos pacientes vivos no mesmo período com ipilimumabe.7

Tais observações estão em linha com um estudo de registro apresentado pelo grupo alemão ADOreg/DeCOG em 2019.8 Todavia, inúmeros vieses podem justificar tal discrepância nessas séries retrospectivas. Como exemplos, pacientes tratados com combinações eram mais jovens e apresentavam melhor estado geral (KPS) em comparação àqueles expostos ao ipilimumabe em monoterapia.7 Dessa forma, apesar dos dados promissores, a falta de estudos randomizados não permite definir a superioridade e recomendação de uso de estratégias combinadas versus o ipilimumabe isolado nesse cenário. À carência de dados definitivos se soma a ausência de registro para uso nessa indicação no Brasil.

Um grande desafio é representado por pacientes que receberam a combinação de ipilimumabe e nivolumabe em primeira linha e que não apresentam mutações do gene BRAF. Nesse caso, as opções de tratamento (também aplicáveis aos outros cenários, talvez em linhas subsequentes) são limitadas e incluem o uso da quimioterapia citotóxica convencional, uso de agentes off-label dirigidos a outras alterações genômicas (exemplo: mutações do KIT) ou inclusão em protocolos de pesquisa, se disponíveis. Mais recentemente, drogas-alvo voltadas às fusões do TRK, que ocorrem em menos de 1% dos casos de melanoma, também se somaram às alternativas. Outras ferramentas, como novos anticorpos monoclonais contra outros correceptores imunes, o herpesvirus oncolítico de uso intralesional talimogene laherparepvec (T-VEC) e distintas modalidades de imunoterapia, como o uso de linfócitos tumorais infiltrantes ou terapias baseadas em citocinas, permanecem distantes da realidade brasileira na maior parte dos centros, mesmo através de estudos clínicos.

Fica claro que, apesar dos avanços sem precedentes, o melanoma não se tornou uma doença menos desafiadora ou simples de se tratar. As elevadas proporções de pacientes que desenvolvem progressão de doença após uso de anticorpos monoclonais anti-PD-1 isolados ou em combinação ao ipilimumabe e as limitadas opções para tratamento subsequente reforçam a necessidade de um esforço constate e investimentos em novas estratégias de tratamento para esses pacientes.   

 

Referências 

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  6. Olson DJ et al. Significant antitumor activity for low-dose ipilimumab (IPI) with pembrolizumab (PEMBRO) immediately following progression on PD1 Ab in melanoma (MEL) in a phase II trial. J Clin Oncol 2020; 38 no15_suppl: 10004 
  7. Pires da Silva I et al. Ipilimumab (IPI) alone or in combination with anti-PD-1 (IPI+PD1) in patients (pts) with metastatic melanoma (MM) resistant to PD1 monotherapy. J Clin Oncol 2020; 38 no15_suppl: 10005 
  8. Weichental M et al. Salvage therapy after failure from anti-PD-1 single agent treatment: A Study by the German ADOReg melanoma registry. J Clin Oncol 2019; 38 no37_suppl: 9505

 

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GBM Entrevista – O atraso no diagnóstico do câncer de pele e suas complicações em tempos de COVID-19

No GBM Entrevista de hoje, o atraso no diagnóstico do câncer de pele, principalmente melanoma, e suas complicações em tempos de COVID-19 é o assunto tratado.

Para esclarecer dúvidas, a convidada é a Dra. Mariana Meireles, médica dermatologista do Centro de Oncologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, coordenadora do Curso de Formação de Cirurgia Micrográfica da SBD e SBCD e membro da diretoria do GBM.

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Oportunidades de ensino em épocas de pandemia

Por Eduardo Bertolli

A pandemia causada pelo novo Coronavírus é algo sem precedentes e que já mudou a humanidade de maneira considerável. Será difícil explicar somente com palavras para nossos filhos e netos como nossas vidas foram afetadas nessa época. 

Entre as mudanças, e das mais relevantes, estão os campos da educação e ensino. Com escolas e faculdades fechadas, eventos científicos suspensos e até mesmo a comunicação interpessoal sendo algo potencialmente arriscado, a transmissão de conhecimento é algo diretamente afetada pela pandemia. 

Felizmente, estamos conseguindo nos adaptar nesse aspecto. Diversas plataformas de comunicação em tempo real têm permitido a comunicação a distância e, especificamente para profissionais da saúde, aulas on-line, webinars e reuniões científicas estão se multiplicando e hoje são quase que atividades diárias. Entre as vantagens, além da possibilidade de participar no conforto e segurança do domicílio, observamos que as distâncias deixaram de ser problemas. A presença de pessoas de outras cidades e estados brasileiros, e até de outros países, não é mais visto como algo surpreendente. 

O ensino para os médicos residentes também precisou se reinventar. Infelizmente as atividades assistenciais eletivas diminuíram, sendo este um dos pilares do aprendizado do residente. Uma das alternativas encontradas, é aproveitar esse tempo que surgiu com outras atividades que possam ser desenvolvidas em plataformas educacionais. 

Menciono aqui, sem nenhum conflito de interesse e apenas por ser a que tenho um pouco de familiaridade, a plataforma Moodle®. Trata-se de um ambiente de ensino de acesso gratuito que permite o carregamento de documentos, aplicação de testes, discussão através de fóruns etc. Para exemplificar, ilustro a experiência real que temos com os residentes de Cirurgia Oncológica durante o estágio em Oncologia Cutânea: periodicamente sugerimos materiais de estudo dos diversos assuntos de interesse, aplicamos testes e criamos fóruns com casos clínicos para que eles discorram sobre como os conduziriam.  

Além de observarmos que, conforme o tempo passa as respostas ficam muito mais embasadas, hoje eles já conseguem discorrer até sobre situações que ainda não tiveram a oportunidade de vivenciar na prática. Guidelines como do NCCN ® e o Manual de Recomendações de Conduta do GBM tornaram-se fontes habituais de consulta, o que os ajuda muito na hora de participarem das discussões. 

Por fim, um último exemplo e este de uma situação “caseira”. Há um grupo dentro de um aplicativo de troca de mensagens com vários cirurgiões da diretoria do GBM. Periodicamente, algum dos participantes coloca um caso real para discussão. O que no começo era algo esporádico, hoje já está bem mais robusto, com envio de artigos, slides de aulas e, o mais importante na minha modesta opinião, troca de experiências.  

A pandemia da COVID-19 não deixará saudades, mas por outro lado, temos que reconhecer que ela deixará um legado importante para nossa maneira de estudar e aprender daqui pra frente.

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Por dentro da dermatologia hospitalar

Por Maria Carolina Corsi Ferreira e Elimar Elias Gomes


As
anormalidades dermatológicas em pacientes hospitalizados são comuns e, em alguns casos, uma patologia cutânea pode ser o motivo da admissão. Uma ampla gama de doenças primárias da pele, cabelos e unhas está presente nos pacientes hospitalizados e alguns destes possuem alterações tegumentares diretamente relevantes para a hospitalização ou indicativos de doença sistêmica. Esse fator associado aos milhões de pacientes hospitalizados a cada ano apontam para o papel crescente do dermatologista no ambiente hospitalar para diagnóstico e manejo adequado dessas alterações.

Estudos demonstram que a avaliação dermatológica melhora a acurácia diagnóstica. Em estudo realizado por Özyurt e colaboradores, apenas 29% dos diagnósticos realizados pela equipe assistente estavam corretos após a avaliação do dermatologista. E no trabalho realizado por Davila, houve uma mudança no tratamento com base na consulta dermatológica em 77,7% dos casos revisados.

No Brasil, a atuação do dermatologista no ambiente hospitalar vem crescendo progressivamente, principalmente nos hospitais universitários. E cada vez mais médicos de outras especialidades têm notado o benefício da participação do dermatologista na condução dos pacientes internados.

A maioria dos problemas dermatológicos é resolvida ambulatorialmente, porém muitos casos necessitam de tratamento hospitalar, como as doenças bolhosas, as farmacodermias, a eritrodermia, entre outras.  Além disso, o ambiente hospitalar permite um melhor diálogo com o paciente e os familiares, bem como com outras especialidades médicas, além de fornecer tempo adicional para educar os pacientes e cuidadores sobre os cuidados com a pele e avaliar a adesão ao tratamento.

Um dos motivos mais comuns para a interconsulta dermatológica é a avaliação de pacientes com suspeita de erupção medicamentosa. No estudo realizado por Davila, 10% das avaliações dermatológicas foram solicitadas por esse motivo. As erupções cutâneas estão entre as manifestações mais frequentes de reações medicamentosas. Uma questão relevante é que essas reações são ainda mais comuns nas unidades de terapia intensiva, onde os pacientes são submetidos à polifarmácia e necessitam de intervenções rápidas e assertivas.

As erupções morbiliformes não complicadas representam cerca de 95% dos casos de farmacodermias, segundo estudo realizado por Bigby. A avaliação dermatológica desses pacientes pode ajudar a confirmar o diagnóstico e identificar a medicação culpada, ou pelo menos restringir a lista se um único agente não puder ser identificado. Nos pacientes submetidos ao transplante de medula óssea, as erupções morbiliformes são um grande desafio diagnóstico, uma vez que podem corresponder à farmacodermia, exantema viral ou doença do enxerto versus hospedeiro. Nestes casos, a avaliação dermatológica é essencial para conclusão diagnóstica, muitas vezes sendo necessária a realização de biópsia de pele à beira leito e exames complementares. As erupções morbiliformes também podem ser a primeira manifestação de uma farmacodermia grave, como DRESS, síndrome de Stevens-Johnson e NET. E, em pacientes com coagulopatias ou plaquetopenia, as erupções morbiliformes podem ser purpúricas e simular uma vasculite.

Outro cenário comum e desafiador para o dermatologista no âmbito hospitalar é avaliar pacientes imunossuprimidos com uma erupção cutânea, tais como pacientes neutropênicos, transplantados, com infecção avançada pelo vírus da imunodeficiência humana (AIDS), em vigência de quimioterapia, desnutridos e pacientes em uso de medicamentos imunossupressores por outras razões, como condições reumatológicas. Estes pacientes possuem risco aumentado de infecções cutâneas e, muitas vezes, apresentam quadros atípicos. Infecções por herpes simples (HSV) podem se manifestar como úlceras confluentes de difícil cicatrização que podem persistir por meses. A disseminação também é frequente, demonstrando a importância do reconhecimento imediato e tratamento da infecção por HSV nessa população. Além disso, a incidência de HSV resistente ao aciclovir está aumentando em pacientes imunossuprimidos.

A neutropenia prolongada e/ou a função alterada das células T são fatores de risco para infecções fúngicas e, portanto, muitas ocorrem no período peri-transplante de medula óssea ou em pacientes cronicamente imunossuprimidos. Infecções por Aspergillus, Mucor, Rhizopus e Fusarium podem apresentar-se como doença primária cutânea. O reconhecimento de infecções fúngicas oportunistas em pacientes imunossuprimidos é uma emergência, geralmente exigindo biópsias à beira do leito para obter tecido para rápida avaliação histológica e cultura, porque as hemoculturas fúngicas são negativas na maioria dos casos de doença disseminada.

Outra doença dermatológica frequentemente diagnosticada no ambiente hospitalar é a síndrome de Sweet ou dermatose neutrofílica febril aguda. Muitos casos estão associados a malignidades, particularmente à leucemia mielóide aguda, mas também pode ser induzida por medicamentos, como o estimulador de colônias de granulóticos. Os principais diagnósticos diferenciais incluem infecção cutânea e leucemia cútis. O reconhecimento e tratamento da doença são impactantes, pois o quadro responde rapidamente à corticoterapia. A biópsia e cultura da pele comumente são necessárias.

A dermatite de contato, de natureza irritante ou alérgica, também é frequentemente encontrada no cenário hospitalar. As causas mais frequentes nestes pacientes são adesivos, antibióticos tópicos e avental cirúrgico. Pode também estar associada aos antissépticos cirúrgicos, incluindo o gluconato de clorexidina e iodopovidona. O iodo presente neste último também é responsável por uma alta taxa de reações irritantes secundárias aos efeitos oxidativos do iodo na pele.

A celulite bacteriana continua uma causa frequente de hospitalização. A celulite da perna é frequentemente super diagnosticada, principalmente no cenário do paciente com suspeita de “celulite bilateral”, quando muitas vezes possui um diagnóstico alternativo. Os imitadores mais frequentes da celulite são as doenças por estase venosa, incluindo a dermatite de estase (eczema de estase) e a lipodermatoesclerose 

Os dermatologistas também podem auxiliar na avaliação de pacientes hospitalizados com úlceras cutâneas.  O diagnóstico diferencial para um paciente com úlcera crônica é amplo e inclui causas como úlceras de estase venosa, úlceras de pressão e úlceras arteriais, bem como entidades menos frequentes, como vasculites e infecções cutâneas. Uma consulta dermatológica pode ser particularmente útil no caso de úlceras incomuns ou recalcitrantes, especialmente quando há suspeita de doença dermatológica primária. Algumas dessas condições incluem calcifilaxia e pioderma gangrenoso, que podem surgir durante a hospitalização. 

Relatamos um caso que ilustra a importância do dermatologista no ambiente hospitalar. Paciente do sexo feminino, 84 anos, com antecedente de melanoma operado na perna direita em 1997, notou aumento de volume na coxa direita em fevereiro de 2019. Foi realizada a biópsia dessa massa, compatível com melanoma. Após estadiamento completo, foi confirmada metástase em trânsito, óssea e linfonodal e iniciado tratamento com nivolumabe em maio de 2019. Um mês após o início da imunoterapia, apresentou prurido significativo, de difícil controle, sem lesões cutâneas primárias (Fig. 1). Em janeiro de 2020, oito meses após o início da imunoterapia, a paciente evoluiu com piora do prurido e surgimento de bolhas tensas disseminadas pelo corpo, sendo então hospitalizada (Fig. 2). Foi avaliada pela equipe de dermatologia hospitalar, submetida à biópsia de pele beira-leito, confirmando a hipótese diagnóstica de penfigoide bolhoso imuno-induzido (Figs. 3 e 4). Além da suspensão da imunoterapia, foi iniciado tratamento com corticoide sistêmico, nicotinamida e doxiciclina, com melhora do quadro e atualmente permanece em seguimento ambulatorial.  

Em suma, a consulta dermatológica melhora a acurácia diagnóstica no paciente hospitalizado com doença cutânea, podendo otimizar o tratamento e reduzir o tempo de internação. A dermatologia abrange uma variedade de condições, incluindo dermatoses inflamatórias, processos infecciosos, reações adversas a medicamentos e distúrbios neoplásicos, muitos dos quais podem ser diagnosticados apenas com base no exame dermatológico, mas quando necessário, as biópsias da pele à beira-leito podem contribuir com informações importantes para o diagnóstico.

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  • Lopez AT, Khanna T, Antonov N, Audrey-Bayan C, Geskin L. A review of bullous pemphigoid associated with PD-1 and PD-L1 inhibitors. Int J Dermatol. 2018;57(6):664-669
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GBM Entrevista – Qual o número de casos de melanoma no Brasil?

Qual o número de casos de melanoma no Brasil e por que é tão difícil fazer esse registro?

Este é o assunto discutido no GBM Entrevista de hoje, que tem como convidado o Dr. Gilles Landman, médico patologista do Departamento de Patologia da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP e ex-presidente do GBM.

Assista e saiba mais!

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GBM Entrevista – A importância do médico patologista no diagnóstico do melanoma

Quer saber mais sobre as funções de um médico patologista e qual sua importância, especificamente para o diagnóstico do melanoma?
Então, não perca esta edição do GBM Entrevista, que recebe um convidado mais que especial: o Dr. Gilles Landman, médico patologista do Departamento de Patologia da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP e ex-presidente do GBM.

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GBM Entrevista – Vitamina D e o câncer de pele

Está no ar mais uma edição do GBM Entrevista!
Desta vez, os doutores Ivan Dunshee e Mauro Enokihara esclarecem as principais dúvidas sobre a vitamina D: qual sua relação com o câncer de pele, como elevar os níveis da vitamina no organismo e muitas outras.

Aperte já o play e confira!

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Comunicado COVID-19

Devido à pandemia do coronavírus, o Grupo Brasileiro de Melanoma vem adaptando seu funcionamento para aderir às recomendações de isolamento social preconizadas por autoridades sanitárias nacionais e internacionais.1,2 Assim, nossos associados verão as modificações em nossa programação, que incluirá eventos transmitidos via internet.

Em meio às recomendações, surgem diversos questionamentos quanto à abordagem de pacientes com o diagnóstico de melanoma ou outros tumores. Diversas entidades vêm se manifestando quanto à conduta durante a pandemia, devido ao potencial risco dos pacientes e dos profissionais envolvidos.3,4,5,6 Não há qualquer recomendação baseada em dados sólidos e, portanto, todas consideram a avaliação individual dos pacientes, com o objetivo de determinar a necessidade de procedimentos imediatos. A posição deste grupo é de reforço às medidas de proteção individual, com o uso de equipamentos apropriados e de redução de risco de transmissão, como o isolamento social. Reforçamos aos nossos colegas que uma discussão detalhada com os pacientes deverá incluir o benefício esperado, a urgência, os recursos disponíveis e a segurança para cada procedimento.

Rafael Schmerling – Presidente do Grupo Brasileiro de Melanoma

 

Referências:

1.Diretrizes COVID-19

2.CDC COVID-19

3.AAD – Coronavirus Resource Center

4.SBOC – Especial SBOC COVID-19

5.SSO – COVID-19 Resources

6.ASCO – COVID-19 Provider & Practice Information

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