Veja como foi o Simpósio Regional de Melanoma – Porto Alegre

dsc_5474“Um sábado bonito e uma plateia cheia faz bem pra gente”. O comentário do sócio fundador do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM), Dr. Francisco Belfort, resume o sentimento dos palestrantes que subiram, este sábado, 12, ao palco do auditório do Hospital São Lucas da PUCRS, em Porto Alegre, para conduzir as aulas do Simpósio Regional de Melanoma do GBM. Foram 20 palestras englobando todos os aspectos do diagnóstico e do tratamento da doença, dando voz a especialistas de diferentes áreas, característica prioritária dos eventos do Grupo.

Na abertura, o presidente do GBM, Dr. Elimar Gomes, e os coordenadores do simpósio, Dr. Jefferson Oliveira e Dr. Renato Bakos, agradeceram à plateia e aos palestrantes, que se dispuseram a comparecer ao encontro num lindo sábado de sol para compartilhar seus conhecimentos e aprender. O Dr. Jefferson também lembrou que a ocasião marca a celebração dos 10 anos do Centro de Dermato-Oncologia do Hospital São Lucas da PUCRS.

As atividades científicas foram iniciadas com o bloco Desafios no Melanoma. Depois do diagnóstico, o primeiro desafio é o tratamento da lesão primária do melanoma, tema da aula ministrada pelo Dr. Felice Riccardi, que deu o pontapé inicial no evento. Para ilustrar suas indicações, foram apresentadas diversas imagens de casos clínicos. Segundo Riccardi, nesta etapa é fundamental contar com um patologista que tenha expertise em melanoma.

“O diagnóstico é o início de tudo, que a gente faz, primeiramente, com o dermatologista, com a avaliação clínica e dermatoscópica, e depois com uma biópsia bem escolhida. Isso faz com que determinemos um tratamento eficaz para a cura do paciente”, comentou o doutor.

Uma dificuldade comum aos profissionais que lidam com a etapa de diagnóstico do melanoma são as lesões com características similares, que podem acabar gerando conclusões equivocadas. Os simuladores não melanocíticos de melanoma foram o tema da palestra da Dra. Thais Grazziotin, que apresentou, com o auxílio de imagens, uma série de doenças que podem confundir o diagnóstico, como ceratoses seborreicas, dermatofibroma, angiomas e angioqueratoma. Falando em dificuldade, o tema da palestra do Dr. Elimar Gomes foi sobre o dilema de quando biopsiar melanoniquia estriada. O doutor apresentou sua experiência sobre o assunto, orientando a plateia a partir de casos de difícil diagnóstico associados com os dados mais recentes da literatura.

A visão do patologista André Carttel sobre os melanomas iniciais foi bastante enriquecedora. Em sua aula, o doutor apontou, dentre outras coisas, algumas dificuldades encontradas pelos profissionais em relação às lesões melanocíticas benignas, em especial o nevo atípico ou nevo displásico. Segundo Carttel, há pouquíssima literatura a respeito. Antes do intervalo foram reservados alguns minutos para discussão, no qual a plateia participou ativamente, levantando questões e acrescendo informações.

Após o intervalo, a programação científica reservou espaço para três grandes experts e protagonistas nos avanços do tratamento do melanoma no Brasil. O primeiro a palestrar foi o Dr. Lucio Bakos, levando à plateia seus conhecimentos sobre a relação entre melanoma e gravidez. Em seguida, o Dr. Orly Corleta apresentou a visão crítica do linfonodo sentinela. Fechando a sessão, o Dr. Francisco Belfort abordou a linfadenectomia na micrometástase. Antes do horário reservado ao almoço, os participantes ainda puderam assistir a dois simpósios satélites.

Olhando para frente: os avanços no melanoma

Após o retorno do almoço, o bloco teve como tema central os avanços no melanoma cutâneo. O coordenador do simpósio, Dr. Renato Bakos, foi um dos palestrantes e apresentou as regras dermatoscópicas para não “perder” um melanoma. Para ele, há um tripé essencial para que isso não aconteça: anamnese, exame clínico e dermatoscopia. Após o tratamento, é essencial que o médico tenha total conhecimento  de quais os exames complementares devem ser realizados para um seguimento adequado. O Dr. José Ricardo falou sobre o tema em sua palestra e alertou que a maior dificuldade está fora do âmbito científico-acadêmico.

“Algo preocupante são os custos do tratamento, especialmente em se tratando de uma enfermidade tão prevalente em nosso país”, disse o doutor, que acredita que o alto custo gera o efeito negativo de selecionar os pacientes que têm acesso aos melhores tratamentos.

Debater para aprender

A quarta e última etapa do simpósio foi reservada ao debate entre os palestrantes e a plateia. O ambiente propício à integração serviu de estímulo para que muitos dos presentes contribuíssem registrando opiniões e levantando novas questões. As discussões foram segmentadas em três partes: controvérsias na cirurgia, no diagnóstico e no manejo oncológico.

A última palestra tratou dos acessos às novas drogas em melanoma no estado do Rio Grande do Sul. Quem ficou até o final não se arrependeu! O Dr. Stephen Stefani apresentou com extremo bom humor e finalizou o simpósio com alto astral e qualidade impecáveis.

O próximo encontro já está marcado e é imperdível: a festa de 20 anos do GBM, no dia 17/12, no Masp, em São Paulo. “Será um evento sócio-cultural transmitido pelo nosso Facebook. Vamos abordar a história do melanoma e suas perspectivas futuras”, comentou o presidente do GBM, Dr. Elimar Gomes.

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